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15/05/2026 00:01
Parceiro de Bernardo Bello e preso por suspeita de ameaçar e espionar para Vorcaro no RJ: saiba quem é Manoel Mendes (Foto: Reprodução)
Compliance Zero: policial federal e operador do jogo do bicho são alvos no Rio
Preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (14) por suspeita de espionar e ameaçar pessoas a mando de Daniel Vorcaro, Manoel Mendes Rodrigues é parceiro de negócios há, pelo menos, uma década do bicheiro Bernardo Bello.
O g1 apurou que a primeira vez que a polícia do Rio de Janeiro teve informações sobre Manolo Dom, que é como Manoel Mendes, de 43 anos, é chamado, foi em agosto de 2012.
Passados 14 anos, Manoel é apontado pela Polícia Federal como integrante de um grupo identificado como "A Turma", ligado a bicheiros, milicianos e policiais e responsável por perseguir e ameaçar pessoas.
E o amigo, Bernardo Bello está foragido da Justiça. O contraventor foi citado e deu entrevista no documentário "Vale o escrito - A guerra do jogo do bicho", do Globoplay.
A defesa de Manoel Mendes não foi encontrada até o momento.
Manoel Mendes Rodrigues, de 43 anos, conhecido como Manolo Dom, preso pela Polícia Federal
Reprodução
No radar da polícia, Manoel apareceu em 2012 quando recebeu de Bernardo Bello a missão de assumir pontos do jogo do bicho no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste da cidade.
Dois anos depois, ao mesmo tempo em que crescia junto à contravenção, Bernardo se aproximou da escola de samba Unidos de Vila Isabel, agremiação que presidiu entre 2017 e 2018.
Nesta época, Bernardo já havia se separado de Tamara Garcia e rompido com toda a família Garcia. Entre os planos estava o de se tornar um dos maiores bicheiros do Rio de Janeiro. Para isso, segundo investigações, pretendia assassinar a cunhada, Shana Harrouche Garcia. Na época, a polícia já estava ciente de ligações entre Bello e Manoel.
Em 2020, de acordo com Shanna, irmã gêmea de Tamara, o cunhado brincou que iria reassumir os negócios. Em fevereiro, Alcebíades Paes Garcia, o Bid, tio de Tamara e Shana, foi assassinado.
No mesmo momento em que Bello começa a ser suspeito pelo crime, em 2021, Manoel Mendes fundou uma empresa de corretagem e aluguel de imóveis, que funciona no Centro do Rio: a MDom Marketing e Corretagem Ltda.
Bicheiro Bernardo Bello em cena de 'Vale o escrito'
Reprodução/Globoplay
Em janeiro de 2022, Bello, já apontado pela polícia como mandante da morte de Bid, foi preso pela Interpol na Colômbia — ele constava na Difusão Vermelha (Red Notice), a lista dos mais procurados de cada país. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro e tornou Bello réu.
Detido na Colômbia por quatro meses, o contraventor obteve um habeas corpus, e voltou ao Brasil, respondendo ao atentado em liberdade.
Em março de 2023, a Justiça expediu mais um mandado de prisão contra Bello, também por lavagem de dinheiro. O contraventor voltou a fugir e está foragido.
Atualmente, Bernardo Bello responde pelos crimes:
Morte de Alcebíades Paes Garcia, o Bid, tio da ex-mulher, Tamara;
Morte do advogado Carlos Daniel Dias André;
Lavagem de dinheiro;
Formação de quadrilha.
De acordo com a Polícia Federal, nas investigações que levaram à 6ª fase da Operação Compliance Zero, Manoel Mendes é "apresentado como empresário do jogo no Estado do Rio de Janeiro e líder de um braço local do grupo, composto por pessoas ainda não identificadas".
Para a PF, Manoel integrava um grupo identificado como "A Turma", que, de acordo com a investigação, seria responsável por ameaças presenciais, intimidações, obtenção de informações sigilosas e monitoramento de desafetos ligados ao empresário Daniel Bueno Vorcaro.
A decisão do STF diz que esse grupo teria ligação com operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais.
Essas informações levaram o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a decretar a sua prisão preventiva.
Contatos e articulação
A decisão do STF também aponta que Manoel Mendes mantinha contato frequente com outros investigados do caso.
Segundo a PF, entre os dias 2 e 3 de março de 2026, pouco antes da terceira fase da operação, Manoel e Felipe Mourão, um dos investigados, trocaram 58 mensagens de texto.
Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e o dono do banco Master
Reprodução
A investigação ainda afirma que Manoel foi citado em conversas envolvendo o policial federal aposentado Marilson Roseno, apontado como chefe operacional do grupo “A Turma”, além de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Henrique também foi preso nesta quinta (14), em Belo Horizonte (MG).
Para a PF, Manoel Mendes atuaria como articulador territorial e executor presencial do grupo no Rio, sendo responsável por mobilizar pessoas para ações de ameaça e pressão física.
Ação em Angra dos Reis
Um dos episódios citados na investigação ocorreu em 4 de junho de 2024, em Angra dos Reis, na Costa Verde. Segundo a PF, integrantes da Turma foram enviados para intimidar ex-funcionários de Daniel Vorcaro.
De acordo com relatos reunidos na investigação, sete homens abordaram o comandante de uma embarcação ligada ao empresário na Marina Bracuhy e fizeram ameaças. Um dos integrantes do grupo teria se identificado como Manoel e afirmado que “mexia com jogo do bicho”.
Na sequência, o grupo foi até um hotel da região para intimidar um ex-chefe de cozinha. Testemunhas também relataram abordagens semelhantes a outros funcionários ligados ao empresário.
Segundo a PF, a ação foi precedida por levantamento de informações, monitoramento e organização logística para pressionar os alvos. A investigação aponta que o objetivo era causar medo e forçar os envolvidos a agir conforme os interesses do grupo.
O que diz a decisão
Na decisão, o ministro André Mendonça afirma haver “quadro indiciário robusto” sobre a existência de dois núcleos ligados ao grupo investigado: um voltado a intimidações presenciais e outro especializado em ataques cibernéticos e monitoramento digital ilegal.
Manoel Mendes aparece vinculado ao primeiro grupo, chamado “A Turma”. A PF sustenta que ele tinha papel relevante na estrutura presencial e coercitiva da organização.
Manoel Mendes passou a tarde desta quinta na Superintendência da Polícia Federal, no Centro do Rio, antes de ser levado para a carceragem em Benfica. A audiência de custódia está prevista para esta sexta-feira (15).