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Os Estados Unidos informaram que interceptaram vários drones iranianos que tinham como alvo navios comerciais no Estreito de Ormuz na madrugada deste sábado (...
Os Estados Unidos informaram que interceptaram vários drones iranianos que tinham como alvo navios comerciais no Estreito de Ormuz na madrugada deste sábado (13), poucas horas depois de os dois países afirmarem que um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio estava mais próximo do que nunca. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A interceptação ocorreu após semanas de negociações intermitentes entre Teerã e Washington, mediadas pelo Paquistão. As conversas foram marcadas por ameaças e trocas de ataques, apesar do frágil cessar-fogo firmado em abril. O Comando Central dos EUA (CENTCOM), responsável pelas operações militares americanas na região, afirmou em publicação na rede X que o Irã havia "lançado múltiplos drones de ataque de uso único na tentativa de atingir navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz". "As forças dos EUA derrubaram todos eles nas últimas horas, enquanto o fluxo de tráfego pelo estreito segue sem interrupções", informou. Initial plugin text O CENTCOM acrescentou que o Estreito de Ormuz — uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás do Golfo — "permanece aberto à navegação", apesar do bloqueio imposto pelo Irã desde o início da guerra. Divergência nas negociações As divergências entre os dois lados continuam. A mídia estatal iraniana publicou uma descrição do que estaria sendo negociado que difere da versão apresentada por Washington. "O Memorando de Entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo", escreveu o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em uma publicação nas redes sociais, referindo-se à capital paquistanesa, que sediou rodadas anteriores de negociações entre os dois países. Trump — que na sexta-feira acusou os iranianos de negociarem de má-fé e de deturparem os termos já acertados — compartilhou horas depois uma imagem da mensagem de Araghchi em sua própria rede social. Agora no g1 No entanto, a emissora estatal iraniana IRIB citou Araghchi dizendo que, enquanto não houver um acordo completo sobre todos os temas em discussão, "não se pode afirmar com certeza que um entendimento foi alcançado com os EUA". Em entrevista à televisão estatal, Araghchi deu alguns detalhes sobre as negociações. Segundo ele, o acordo prevê o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos e mudanças ainda não especificadas na administração do Estreito de Ormuz. O chanceler também afirmou que a única forma de lidar com o urânio enriquecido do país — que Washington alega estar ligado a um programa de armas nucleares — "é diluí-lo dentro do Irã". Rebatendo a acusação de Trump sobre suposta má-fé nas negociações, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou que um entendimento com Washington já foi alcançado "na maior parte dos pontos". Otimismo permanece O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país atua como mediador desde o início das conversas, afirmou que "um texto final consensual para o acordo de paz foi concluído". "A paz nunca esteve tão próxima quanto agora", disse Sharif, reconhecendo, porém, a existência de "desinformação incessante" em torno das negociações. Um alto funcionário americano também demonstrou otimismo ao afirmar que as partes poderão "assinar esse acordo nos próximos dias". "Se você me perguntasse pela manhã qual era meu grau de confiança de que assinaríamos esse acordo, eu diria cerca de 75%. Agora, provavelmente está mais perto de 80% a 85%, mas ainda não é 100%", afirmou o funcionário a jornalistas. O Ministério das Relações Exteriores da Suíça informou na sexta-feira que manteve contato com EUA e Irã e que "propôs a Suíça como local para uma eventual assinatura do acordo, caso as partes concordem". Araghchi, porém, afirmou que, quando o texto estiver concluído, o acordo será assinado "remotamente", acrescentando que isso poderá ocorrer "nos próximos dias". Termos do acordo seguem em disputa Israel, aliado dos EUA, afirmou que Trump prometeu que qualquer acordo incluiria a retirada do material nuclear enriquecido do Irã. Já a agência estatal iraniana IRNA afirmou que esse tema sequer faz parte das negociações. Segundo a versão divulgada pela IRNA, após a assinatura de um acordo inicial, Irã e EUA realizariam mais 60 dias de negociações, e "o direito do Irã de enriquecer urânio e manter material enriquecido será enfatizado com vistas à sua inclusão no acordo final". Ainda de acordo com a agência iraniana, Teerã insistirá em manter o controle sobre a circulação de embarcações no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo país desde o início da guerra, o que provocou grandes impactos na economia global. Na sexta-feira, a agência Mehr, citando uma fonte próxima à equipe negociadora iraniana, informou que o acordo também incluiria a liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados. Esses detalhes, contudo, divergem da versão apresentada por um alto funcionário da Casa Branca à AFP. Segundo ele, o Irã concordou em desmontar seu programa nuclear, destruir seu estoque de urânio enriquecido e reabrir o Estreito de Ormuz. Em troca, os recursos congelados só seriam liberados após o cumprimento dessas obrigações. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também afirmou que o Irã "não receberá dinheiro e nenhum recurso será liberado simplesmente por assinar um acordo ou participar de uma reunião". Mas acrescentou que, se "o Irã cumprir suas obrigações, os benefícios econômicos chegarão ao país e a toda a região". Ilustração mostra bandeira dos EUA e do Irã REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração