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'Voltei a sonhar', diz mulher que superou violência doméstica e encontrou na atuação um recomeço no interior de SP
'Voltei a sonhar', diz mulher que superou violência doméstica e encontrou na atuação um recomeço no interior de SP (Foto: Reprodução)

Mulher vítima de violência doméstica dá a volta por cima como atriz no interior de SP Aos 44 anos, a operária Adriana dos Santos carrega marcas profundas da violência doméstica, mas também uma história de recomeço por meio da arte. Ela, que mora em Penápolis (SP), afirma que chegou ao limite após sofrer agressões físicas, ameaças e perseguições do ex-companheiro. Em um dos momentos mais difíceis da vida, pensou em tirar a própria vida, e foi justamente nessa fase que viu surgir a oportunidade que mudou o destino, segundo ela: participar de uma minissérie e voltar a acreditar nos próprios sonhos. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp “Eu considero que minha história sirva de superação para outras mulheres. Eu voltei a sonhar novamente”, declara Adriana, ao g1. Ela conta que havia sofrido uma agressão cerca de três meses antes de encontrar um anúncio nas redes sociais convidando interessados para um curso de atuação. Adriana dos Santos, em foto promocional da minissérie "Eu Sou o Caminho" (à esq.), que gravou em 2024, e no dia a dia na região de Penápolis (SP): superação após sofrer violência doméstica Fotos: Adriana dos Santos/Arquivo pessoal “Eu estava pronta para tomar veneno. Aí me deu vontade de entrar no Instagram e vi o anúncio falando: ‘Você que sonha atuar, ser ator, atriz, entra em contato’. E eu entrei em contato e fiz o curso”, relembra. A produção era a minissérie independente “Eu Sou o Caminho”, de temática cristã e dramática, focada no público jovem, produzida por Rafael Mozzato. A série foi gravada em abril de 2024. A trama conta a história de uma jovem cega, e Adriana interpretou Bianca, amiga da protagonista. Ela participou de três capítulos da obra, após passar seis meses estudando interpretação em aulas on-line. “Eu gravava as cenas e mandava para eles avaliarem. Uma vez por semana tinha aula com a professora. Hoje eu entendo que Deus estava cuidando de mim naquele momento”, afirma. Adriana dos Santos (de blusa vermelha), em cena da minissérie "Eu Sou o Caminho" (à esq.), que gravou em 2024: superação após sofrer violência doméstica Adriana dos Santos/Arquivo pessoal De ofensas verbais a agressões físicas Segundo Adriana, o relacionamento abusivo com o ex-companheiro começou com ofensas verbais e evoluiu para agressões cada vez mais violentas. Ela conta que teve cabelo arrancado, sofreu ferimentos próximos aos olhos e quase perdeu a visão. “No começo ele me xingava. Depois começou a empurrar, até chegar ao ponto de quase me matar”, diz, ao g1. Ela relata ainda que o ex-companheiro usava drogas e se tornava agressivo principalmente quando ela se recusava a consumir junto com ele. “A maioria das vezes em que eu sofri violência foi porque eu não queria usar droga com ele”, conta. Durante o relacionamento, Adriana diz que também sofreu ameaças envolvendo os três filhos. Segundo ela, o homem afirmava que faria mal à família caso ela tentasse deixá-lo. LEIA TAMBÉM Secretário de Saúde licenciado de Rio Preto é condenado por divulgar fotos íntimas da ex-mulher Esposa posta foto que fez em rodeio horas antes de peão morrer pisoteado por touro: 'Mal eu sabia que seria nossa última' Mãe que superou diagnóstico de infertilidade tem na música a trilha sonora para vínculo com os filhos: 'A gente é uma equipe' Adriana dos Santos (de blusa vermelha), em cena da minissérie "Eu Sou o Caminho" (à esq.), que gravou em 2024: superação após sofrer violência doméstica Adriana dos Santos/Arquivo pessoal Reconstruir a vida longe da violência Ela procurou ajuda da polícia em diferentes ocasiões. Na primeira vez em que o agressor foi preso, ele permaneceu detido por três meses. Depois de sair da cadeia, pediu uma nova chance e prometeu mudança. “Durante três meses ele foi o melhor homem do mundo. Depois voltou mais violento ainda”, relembra. Na segunda prisão, o homem ficou detido por seis meses. Nesse período, Adriana recebeu orientação de policiais e de uma psicóloga para reconstruir a vida longe dele. Ela passou a trabalhar, alugou uma casa e tentou recomeçar. No entanto, após a soltura do ex-companheiro, voltou a ser perseguida e decidiu deixar a cidade onde morava. Adriana vive atualmente na região de Penápolis, onde trabalha na produção de emborrachados. Ela prefere não citar o nome da cidade para evitar que o ex possa localizá-la. Antes, também atuou como auxiliar de limpeza. Aos poucos, diz estar reconstruindo a própria autoestima. “Hoje posso dizer que sou uma mulher realizada. Falta encontrar alguém que me ame, me respeite e me valorize”, afirma. Atuação e canto Além da atuação, Adriana também alimenta outro sonho antigo: a música. Ela conta que gosta de cantar e escrever desde criança, apesar de nunca ter feito aulas de canto. Com apoio do produtor Rafael Mozzato, entrou em estúdio e gravou um EP intitulado “Moreninha do piseiro”. Já participou de apresentações em eventos da região sempre que surgiam oportunidades. Adriana afirma que pretende usar a própria história como inspiração para outras mulheres que vivem relacionamentos abusivos. Entre os planos daqui para frente, estão novos trabalhos artísticos, inclusive a participação em um filme previsto para começar a ser gravado entre o fim deste ano e o início do próximo. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM