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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (24) que "não cabe representação de miliciano" no Palácio do Planalto. "Eu queria d...
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (24) que "não cabe representação de miliciano" no Palácio do Planalto. "Eu queria dizer primeiro dizer pra vocês que da mesma forma que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, no Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano lá dentro. É importante ter claro o que está em jogo no dia 4 de outubro", afirmou o petista. Lula deu a declaração durante ato de campanha em São Gonçalo (RJ), acompanhado do candidato ao governo do estado Eduardo Paes (PSD). Ele iniciou o discurso repetindo a fala sobre soberania que integrou seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na terça-feira (22). Na ocasão, o presidente afirmou que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém", em uma referência a investidas do governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump, com sanções econômicas e a inclusão de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais. Agora no g1 Na última terça-feira (22), reportagem revelou que senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, destinou uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil para um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, miliciano condenado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco. A emenda foi negociada em 2023 entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar no gabinete de Flávio no Senado. Marielle e seu motorista Anderson Gomes foram mortos em 2018. A Polícia Federal tem indícios de que o dinheiro da emenda foi desviado. As conversas sobre a emenda foram noticiadas primeiramente pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e pela revista "Piauí". Em maio, o jornal "O Globo" já havia revelado a existência da investigação. A PF encontrou mensagens de WhatsApp trocadas entre Peixe e Maria de Fátima no celular do miliciano, apreendido quando ele passou a ser investigado pela morte de Marielle, em 2024. O g1 obteve os prints das conversas (veja aqui). Flávio Bolsonaro afirmou, por meio de sua assessoria, que "a emenda foi destinada dentro da legislação vigente". Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em fevereiro deste ano, a 9 anos de prisão e à perda do cargo de policial militar reformado. Ele foi acusado de ser o elo entre os executores do assassinato e os mandantes, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão — ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio e ex-deputado federal, respectivamente. Eleição para o Congresso Sem citar nomes em seu discurso, o petista fez críticas à direita, e pediu que apoiadores votem, além dele, em candidatos da base aliada para cargos no Congresso. "A gente não pode permitir que a direita faça maioria no Senado. Senão eles vão transformar esse país em um inferno. É importante vocês saberem disso", afirmou. Ele pediu, então, que o voto seja direcionado para pessoas que irão permitir que ele governe um quarto mandato. "Essa gente de dia beija a bandeira do Brasil, e de noite a bandeira americana. Quer entregar nossas riquezas, queriam privatizar praias para resort de luxo. O que está em jogo é a democracia ou a barbárie". O presidente do Brasil e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante uma cerimônia para anunciar investimentos em segurança na sede da Polícia Rodoviária Federal, no Rio de Janeiro, Brasil, em 18 de setembro de 2026 Mauro Pimentel / AFP Crítica a bets O presidente Lula também voltou a criticar as apostas esportivas e afirmou que pretende "acabar" com o atual modelo das bets. Lula relacionou as plataformas de apostas ao endividamento de brasileiros e disse que o governo pretende tomar medidas para restringir o setor. “Se preparem que eu vou acabar com bets. Não é possível a sociedade endividada por causa de bet, as pessoas jogarem escondido”, declarou Lula durante uma caminhada na cidade. Na ocasião, o presidente lembrou da carta que recebeu dos clubes de futebol com críticas à possibilidade de novas restrições ao setor. Segundo Lula, os times argumentam que mudanças nas regras ou o fim das apostas poderiam afetar as receitas dos clubes, que hoje mantêm contratos de patrocínio com empresas do segmento. "Os times de futebol escreveram uma carta, assinada pelo Flamengo, pelo Corinthians. 'Ah, se acabar com as bets, vai acabar com futebol'. Então, deixa eu falar para vocês uma coisa: o Flamengo foi campeão do mundo em 81, não tinha bet. O Corinthians foi campeão, não tinha bet." afirmou o presidente. Lula também criticou a dependência financeira dos clubes em relação às empresas de apostas e afirmou que o custo do futebol não pode ser transferido aos torcedores. "O que eu acho estranho é os times de futebol não compreenderem o papel do torcedor. Quem vai ao Maracanã ver o jogo? São as pessoas da periferia. Quem compra camisa do Flamengo para a mulher e para o filho? É o trabalhador assalariado. E, ainda, o time quer jogar nas costas do torcedor o pagamento do salário do jogador? Apostando em jogo? Para pagar 3 milhões para um jogador? Enquanto o povo ganha R$ 2,5 mil, R$ 3 mil, R$ 4 mil? É justo isso?" completou. Reunião no Alvorada Na quarta-feira (23), em Brasília, Lula passou parte da manhã reunido com ministros para discutir medidas que podem ser adotadas pelo governo em relação às bets. Entre as possibilidades avaliadas estão novas restrições às apostas on-line e mudanças nas regras do setor. Já na noite de quarta-feira (23), no Rio de Janeiro, durante um encontro com artistas, Lula voltou a prometer "acabar com as bets" e afirmou que os clubes de futebol terão de buscar outras formas de financiamento. Na semana passada, alguns dos principais clubes de futebol do país divulgaram uma carta em defesa do mercado regulado de apostas no Brasil. O documento foi uma reação à possibilidade de o governo federal editar uma medida provisória para proibir jogos de cassino on-line.