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Mãe do PR que adotou três crianças tendo quatro biológicos decidiu iniciar processo ao sentir 'algo diferente' em despedida no acolhimento
Mãe do PR que adotou três crianças tendo quatro biológicos decidiu iniciar processo ao sentir 'algo diferente' em despedida no acolhimento (Foto: Reprodução)

Mãe de quatro filhos biológicos, paranaense aumenta família e adota três crianças Andreia Cristina Pinheiro Jarletti, que adotou três crianças tendo quatro biológicos, decidiu iniciar processo de adoção ao sentir "algo diferente" durante a despedida de uma criança acolhida durante o projeto Família Acolhedora. Ela e o marido, Nóbili Augusto Jarletti, participaram do programa durante 10 anos, em Maringá, no norte do Paraná. A criança é Vitória, de 12 anos, que foi adotada pelo casal. Durante as visitas a ela no abrigo, Andreia também conheceu os irmãos Ezequias e Richardy, de 11 e 9 anos, e também os adotou. Todo o processo foi concluído em novembro de 2025, e eles passaram a ser oficialmente irmãos de Pedro, de 2 anos, Maria, de 6, Clara, de 10, e Sofie, de 14, que são filhos biológicos do casal. "Quando a gente se despediu da última acolhida, que foi a Vitória, a gente sentiu algo diferente. Eu vi que não queria mais apenas cuidar por um momento. Vi que eu queria cuidar para sempre. Foi ai que a gente decidiu adotar", disse Andreia. ✅ Siga o g1 Maringá no WhatsApp Para entrar com o processo de adoção, Andréia e Nóbili deixaram o projeto Família Acolhedora. Isso porque um dos requisitos para participar do programa de acolhimento é não ter interesse em adotar. 🔎 O Serviço Família Acolhedora no Paraná é uma medida protetiva que cadastra e capacita famílias voluntárias para acolherem, temporariamente, crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem por ordem judicial, devido a situações de vulnerabilidade, negligência ou violência. É uma alternativa ao acolhimento institucional (abrigos), oferecendo cuidado individualizado em ambiente familiar. Andreia Cristina Pinheiro Jarletti e os sete filhos. Cedidas/Andreia Cristina Pinheiro Jarletti Vitória, Ezequias e Richardy viviam no Abrigo Municipal de Maringá, no Norte do Paraná. Meses antes de serem adotadas, o local registrou uma série de problemas, tendo até fuga de crianças. À época, Andreia e o marido, inclusive, foram procurados para abrigar por uma noite cerca de 12 crianças. Entre elas, também estavam Vitória, Ezequias e Richardy. Meses após a situação, eles conseguiram oficialmente a adoção dos três. "Querendo ou não, a gente enfrenta muitos preconceitos. A gente vive isso no dia a dia, com frases e palavras bem difíceis. Muitas pessoas deixaram de ser nossos amigos, de conversar com a gente, depois que a gente concluiu os processos de adoção. Mas em contrapartida, outros também veem: o que seria dessas crianças se não tivesse alguém que acreditasse nelas?", conta. Leia também: Hantavírus no Paraná: Casos são de fevereiro e abril, mas só foram divulgados em maio Pinhão engorda? Veja tabela nutricional e como encaixar a semente na dieta Previsão do tempo: Paraná recebe alerta de tempestades e geadas Adaptação Andreia Cristina Pinheiro Jarletti em família. Cedidas/Andreia Cristina Pinheiro Jarletti Apesar da diferença de faixa etária entre os filhos, Andreia afirma que o período de adaptação tem sido positivo. Para ela, a confiança entre eles está sendo construída aos poucos e as relações de amor e cuidado estão em constante formação. Andreia descreve a maternidade como o ato de se doar aos filhos, em detrimento de si mesma — mesmo com os desafios e, muitas vezes, cansaço. Ela afirma que ser mãe é algo divino e confessa que o que mais gosta da maternidade é estar na companhia dos sete filhos. "Eu adoro passear com eles, ficar em casa com eles, assistir filme, conversar e estar com eles. Mesmo que esteja faltando um, fica aquele vazio. [...] Querendo ou não, é cansativo. Mas em nenhum momento eu me arrependo de ter tido os meus filhos biológicos, nem os meus filhos adotivos. Eu sempre falo que eu os amo, que eu os quero e sempre vou lutar por eles", afirma Andreia. Relembre: Sonho: Casal entra na fila para adotar duas crianças e acaba saindo com cinco Decisão em família Andreia Cristina Pinheiro Jarletti e família. Cedida/Andreia Cristina Pinheiro Jarletti Para adotar as outras crianças, Andreia não tomou a decisão sozinha. Ela contou com o apoio do marido e dos outros quatro filhos. Eles sabiam que ter a casa cheia sempre foi um sonho para ela e se alegraram em fazer parte desse plano. "Eu sempre quis ter muito muitos filhos. Desde que eu era criança, isso fez parte de mim, tanto nas brincadeiras, como nas conversas [...] Quando eu me tornei mãe da minha filha primogênita, isso floresceu. E aí eu tive certeza do meu dom, pela maneira de eu ser, pelo jeito de eu lidar com as situações da maternidade [...] Meu amor é multiplicado a cada dia", conta Andreia. Durante as visitas ao abrigo, Andreia sempre fez questão de levar os filhos biológicos. Aos poucos, as crianças também foram criando um vínculo com Vitória, Ezequias e Richardy. Durante o processo de adoção, inclusive, as crianças foram questionadas durante avaliação psicológica, se concordavam em ter mais irmãos em casa, e confirmaram a vontade. "Elas [filhos biológicos] ajudaram muito as crianças e isso foi muito bonito, porque eu sempre quis que elas vivessem outra realidade, bem diferente da que elas estavam acostumadas, na escola ou nas atividades que elas fazem [...] Hoje eles brigam igual irmãos mesmo, normal. Mas, se mexer com um deles, estão prontos para defender. Eles estão crescendo a cada dia juntos", explica. Andreia também afirma que, para dar conta da maternidade com vários filhos, o apoio do marido no dia a dia é imprescindível. Ela conta que, desde o começo, os dois "sonhavam o mesmo sonho". "Quando você ama alguém que já é do seu laço sanguíneo, faz parte. Mas amar alguém de fora, às vezes as pessoas acham tão difícil, mas não é. Então, que a nossa história com as adoções e outras várias possam fazer crescer o número de crianças adotivas e que elas não sejam mais tão numerosas em abrigos, como ainda são", finaliza Andreia. Paraná tem mais de 3 mil crianças para adoção Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias em g1 Norte e Noroeste.