Veja o que é #FATO e o que é #FAKE na entrevista de Romeu Zema ao g1 e à GloboNews
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Eleições 2026: como administrar contratos de trem, metrô, ônibus e estradas é desafio para próximo governador Uma trabalhadora que mora em Diadema precisa...
Eleições 2026: como administrar contratos de trem, metrô, ônibus e estradas é desafio para próximo governador Uma trabalhadora que mora em Diadema precisa de três cartões diferentes para fazer o trajeto entre casa e trabalho. Já quem atravessa uma rodovia estadual pode pagar pedágios definidos por contratos assinados em épocas diferentes, com regras diferentes. Enquanto isso, dezenas de linhas de trem, metrô, ônibus e balsas precisam funcionar de forma integrada para conectar cidades que, na prática, operam como uma só. Os exemplos ajudam a mostrar como a mobilidade se tornou uma tarefa cada vez mais complexa para o governo de São Paulo. Em um cenário em que boa parte dos serviços é operada pela iniciativa privada, o principal desafio deixou de ser apenas administrar ônibus, trens ou estradas: hoje, o papel do estado passa cada vez mais pelo planejamento, pela integração e pela fiscalização de uma rede que movimenta milhões de pessoas todos os dias. Esta é mais uma reportagem da série do g1 e do SP2 que explica quais são as responsabilidades do governo estadual em áreas consideradas estratégicas para a população. Saiba qual é o o papel do governo do estado nas áreas que mais preocupam o eleitor de SP O que o governo do estado faz na área de mobilidade? A mobilidade está entre as principais atribuições do governo estadual e envolve diferentes modais de transporte. Hoje, o estado é responsável pelo planejamento, pela regulação e pela fiscalização de serviços como trens, metrô, ônibus intermunicipais, travessias por balsas e rodovias estaduais. Mas o papel do governo mudou ao longo dos últimos anos. Das 15 linhas de trem e metrô em operação em São Paulo, 10 são administradas pela iniciativa privada. O mesmo ocorre com 14 travessias por balsas, milhares de ônibus metropolitanos e cerca de 12 mil quilômetros de rodovias estaduais, operados por concessionárias. Trens em teste da Linha 17-Ouro do Monotrilho, na Marginal do Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo. Sergio Barzaghi/Secom/PMSP Isso significa que o estado deixou de executar diretamente parte dos serviços para assumir uma função cada vez mais voltada à coordenação do sistema. Para Sérgio Avelleda, coordenador do Centro de Mobilidade Urbana do Insper e ex-gestor da área de transportes em São Paulo, o governo passou a exercer um papel semelhante ao de um maestro. "Ele precisa ser o maestro que sinaliza, que orienta e que obtém o resultado que é a música perfeita aos ouvidos do usuário." A avaliação é compartilhada pela professora de Direito Administrativo da FGV-SP Vera Monteiro, especialista em regulação de serviços públicos. Segundo ela, a transferência da operação para empresas privadas não reduz as responsabilidades do poder público. "Isso não significa que o estado vai fazer menos. Talvez tenha que fazer muito mais, porque vai fazer coisas muito mais complexas e sofisticadas", afirma. Trívia Trens assume operação de três linhas da CPTM Integrar cidades que funcionam como uma só São Paulo possui nove regiões metropolitanas, onde milhões de pessoas vivem em uma cidade, trabalham em outra e estudam em uma terceira. Na prática, a rotina ultrapassa os limites municipais todos os dias. Segundo o professor de Gestão Pública Paulo Silvino, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a dinâmica econômica e social das regiões metropolitanas exige planejamento conjunto. "O grande desafio que o governador em São Paulo pode ter é lidar com essas questões metropolitanas, com essa relação intermunicipal que pressupõe capacidade de planejamento e previsibilidade para problemas muito complexos." Ônibus da EMTU fazem trajetos entre diferentes municípios Reprodução/EPTV Quando uma viagem exige três cartões As dificuldades de integração aparecem na rotina de quem depende do transporte público. De acordo com o IBGE, metade da população ocupada leva entre 30 minutos e duas horas no principal meio de transporte utilizado para chegar ao trabalho. É o caso da ajudante de cozinha Giselia Oliveira. Moradora de Diadema, ela combina diferentes sistemas de transporte para chegar ao emprego. No trajeto, utiliza ônibus municipais, ônibus da cidade de São Paulo e, em alguns dias, o corredor de trólebus. O resultado é uma coleção de cartões: um para os ônibus de Diadema, outro para o sistema da capital e um terceiro para o pagamento do trólebus. Usuário do bilhete único na cidade de São Paulo Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo Além da dificuldade operacional, a falta de integração também pesa no bolso. Cada embarque exige o pagamento de uma tarifa diferente, aumentando o custo total da viagem. "A gente vive num lugar como se fosse uma cidade só, mas são 39 prefeitos fazendo o planejamento dos ônibus locais e o governo do estado fazendo a conexão intermunicipal", afirma Sérgio Avelleda. "Isso leva a uma irracionalidade, linhas que concorrem, muitos cartões e ausência de tarifa integrada". O que acontece nas rodovias Cerca de metade da malha rodoviária estadual é administrada pela iniciativa privada por meio de 24 contratos de concessão firmados em diferentes períodos. Como esses contratos foram elaborados em momentos distintos, eles possuem regras, metas e critérios próprios. Para especialistas, isso dificulta a fiscalização e torna mais complexo o objetivo de oferecer padrões semelhantes de qualidade para os usuários em toda a malha concedida. O tema também costuma aparecer nas discussões sobre pedágios, especialmente em regiões onde motoristas e transportadores convivem diariamente com múltiplas cobranças ao longo dos trajetos. Pórtico de cobrança na Rodovia dos Imigrantes, operada pela concessionária Ecovias Divulgação/Ecovias Mais do que operar, o desafio é planejar Se nas últimas décadas a discussão estava concentrada na expansão da infraestrutura e na operação dos sistemas de transporte, especialistas afirmam que o desafio atual é construir políticas integradas para diferentes modais. Isso envolve pensar de forma conjunta o papel dos ônibus metropolitanos, dos sistemas metroferroviários, das travessias por balsas e das rodovias estaduais. Também exige coordenação entre o governo estadual, concessionárias e administrações municipais. Para Vera Monteiro, uma visão integrada é essencial para melhorar a qualidade dos serviços e reduzir custos para os passageiros. "Seria muito honesto com o cidadão que o novo governante demonstrasse interesse em trazer para si a responsabilidade do planejamento metropolitano de todos os modais de transporte", avalia.