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Como se tornar doador de órgãos? O g1 explica alternativas para formalizar o interesse. É inegável a dor da perda de alguém querido. Porém, a partida pode...
Como se tornar doador de órgãos? O g1 explica alternativas para formalizar o interesse. É inegável a dor da perda de alguém querido. Porém, a partida pode significar uma nova chance para outras pessoas. A doação de órgãos, ato solidário no pós-vida, ainda enfrenta obstáculos e é encarada como tabu por algumas famílias. No Brasil, há duas maneiras digitais de demonstrar que você tem interesse em ser um doador de órgãos (conheça abaixo). 💻 AEDO: a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos está disponível desde abril de 2024. Quem quer ser doado pode manifestar e formalizar a vontade por meio de um documento oficial, feito digitalmente, reconhecido em cartório. 🗂️ CNI: É possível identificar o interesse em doar órgãos na nova Carteira Nacional de Identidade. A informação fica no verso do documento na versão digital. Uma doação foi o recomeço para Sophia Lima, menina de 2 anos que nasceu em Parambu, no interior do Ceará, com cardiopatia congênita, uma doença grave no coração. Somente em uma das internações hospitalares, ela passou 9 meses na UTI. “A cada dia que eu olho pra Sofia com a chance que ela teve de uma vida nova, eu me emociono muito vendo minha filha correndo, dançando, brincando, fazendo as obras de arte dela no meio da casa, com a 'baguncinha' que a gente ama. É muito emocionante”, disse Auriclesia Pereira Lima, agricultora. “É uma gratidão grande demais que a gente tem, primeiramente a Deus, segundo a essa família, que num ato de dor ela nos proporcionou uma vida nova”, complementou a mãe de Sofia. ➡️ Como fazer a AEDO? O processo é completamente digital, a partir do site www.aedo.org.br . Basta acessar o formulário, preencher e enviar. Depois disso, o documento é enviado a um cartório que vai acionar o doador para confirmar os dados em uma chamada de vídeo. A declaração não tem custo. Depois da declaração, a Central Nacional de Doadores de Órgãos vai saber, a partir da consulta por CPF, que a pessoa é doadora e, com isso, avisar a família antes da decisão. ➡️ Como indicar a doação de órgãos na CNI? A pessoa precisará informar, na hora de fazer o novo documento, que quer a incluir a indicação que deseja ser doador de órgãos. Com isso, é possível que, ao consultar a sua identidade, a equipe médica saiba do desejo de doação e apresente à família antes da decisão. Se você já se declarou doador em sua identidade antiga, ela ainda é válida até 2032. Quem não tem essa sinalização no documento antigo e quer ser doador pode emitir uma nova carteira. ❤️ Doe de Coração Artista cearense Hélio Rôla foi responsável pela reestilização da identidade visual da Doe de Coração de 2026 Marjorie Zaranza A Fundação Edson Queiroz iniciou, neste mês de setembro, a campanha Doe de Coração 2026, iniciativa que há 24 anos estimula a doação de órgãos e tecidos no Ceará. A campanha deste ano é liderada pelo médico e professor Lourrany Borges Costa, coordenador adjunto do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor). “Durante a campanha inteira, durante o mês, a gente faz várias ativações e ações e serviços em shoppings, na própria universidade, levando mais informações e também trazendo profissionais de saúde que trabalham nas equipes de doação de órgãos, que eles têm mais detalhes sobre todo o processo, e as pessoas podem tirar essas dúvidas sobre esses mitos em relação à doação”, comentou o coordenador da campanha. “Existe às vezes um medo, ou acham que os profissionais de saúde dos hospitais querem apressar a morte do paciente, ou o mito em relação a como que o corpo vai ficar após o processo de cirurgia do transplante. Mas tudo isso é esclarecido também nas equipes de doação”, explicou Lourrany. O médico falou também sobre a importância de introduzir essa conscientização na educação das famílias. “Quanto mais cedo essa conversa for feita nos lares, nas casas das pessoas, melhor, porque é uma conversa que pode ser rápida, mas que pode salvar muitas vidas. Cada possível doador pode salvar até oito pessoas”, salientou. Milhares na fila Atualmente, quase 50 mil brasileiros estão na fila para transplante de órgão. As maiores demandas são por rim, fígado e coração, conforme o Ministério da Saúde. Essa fila poderia caminhar mais rápido a partir da iniciativa de pessoas como o representante comercial Alysson Wagner Santos, que indicou o interesse na CNI. “Troquei meu RG porque realmente teve essa necessidade de trocar, porque o antigo já estava bem usado, bem velho, e eu achei importante fazer logo isso”, explicou. “Quando cheguei lá eu fui informado, perguntaram para mim sobre essa questão da doação, eu disse: ‘completamente! Pode anotar tudo aí que eu quero fazer toda essa parte de doação de órgãos e tudo’”, destacou Alysson. “Eu acredito que isso é um dos princípios do ser humano. A partir do momento em que a gente foca na questão de fazer o bem ao próximo, de ajudar ao próximo, isso se torna muito importante, e é algo que, quando chegar a minha passagem, digamos assim, aí é algo que você vai deixar para uma outra pessoa. Imagina quantas pessoas nesse exato momento estão precisando? Estão na luta esperando que alguém faça uma doação?”, reforçou o doador de órgãos. 45% das famílias ainda dizem não Cada doador de órgãos pode salvar até oito vidas. Fabiane de Paula/SVM Quando os médicos constatam a morte encefálica de um paciente, eles acionam a Central de Transplante do Estado. Uma equipe especializada aborda familiares para saber se autoriza a doação de órgãos. 45% das famílias ainda dizem não. “Um dos motivos que leva a família a dizer 'não' é o desconhecimento do desejo do seu familiar. Então, quando eles sabem desse desejo de ser um doador isso faz com que eles sintam mais segurança em dizer sim e, assim, salvar vidas”, comentou Aline Alves, coordenadora da equipe hospitalar de doação para transplante do Hospital Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza. “Esse, sim, ele vai ajudar não apenas aqueles que aguardam numa fila de espera, porque junto com eles também adoece toda uma família, mas também os familiares que estão perdendo sua ente querido. Porque, assim, eles conseguem de alguma maneira ressignificar, né, aquela perda inesperada e dar um novo sentido”, reforçou a enfermeira. A importância de informar o desejo à família é reforçado por Lúcio Kildare Lima, enfermeiro da Central de Transplantes. "O que é importante a gente saber é que, se a pessoa quer ser doadora, se a pessoa é doadora, ela tem que comunicar família, ela tem que passar as informações, tem que sensibilizar a família e dizer, expor a sua vontade espontânea sobre essa doação. E é um gesto tão nobre, eu acho que é um gesto tão maravilhoso, que é um gesto de salvar vidas, né? Então, esse 'sim' depende da família, por isso que a gente pede que as pessoas comuniquem à família dessa sua decisão, desse seu desejo”, explicou o enfermeiro. “Cada transplante é uma vitória. Quando a gente depois vê as matérias, vê as histórias, a gente se emociona porque a gente se emociona porque a gente vê, muitas vezes, muita dificuldade. E a gente, quando consegue salvar uma vida, é uma coisa que não tem explicação, é uma coisa maravilhosa. E todos nós aqui ficamos muito orgulhosos com esse trabalho”, complementou o profissional de saúde. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará